Outubro é um mês de consciencialização. É o mês do outubro rosa e o mês europeu da cibersegurança.

 

Neste sentido, a ActiveSys preparou um artigo que pretende demonstrar a participação do género feminino na tecnologia, com o intuito de promover o interesse desta área a jovens estudantes.

Apesar da visível evolução que promete atenuar a diferença entre géneros nas áreas das tecnologias, ainda é notória a grande disparidade de géneros que existe.

A participação do género feminino em áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática- sigla em inglês), é inferior ao esperado, face ao número de mulheres.

As mulheres sempre estiveram presentes nas TIC, tendo desempenhado um papel fundamental na área da tecnologia ao longo da História. De entre todas, destacamos Ada Lovelace, Hedy Lamarr e Margaret Hamilton.

Ada Lovelace criou o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina, tendo sido considerada, graças a isso, a primeira programadora da história, apesar de ter vivido no século XIX, época em que os computadores ainda não existiam.

Por sua vez, Hedy Lamarr foi a responsável pela criação da base para o Wi-fi. Foi durante um grande período histórico, o da Segunda Guerra Mundial, que a austríaca criou um aparelho que interferia com a rádio, a fim de despistar radares nazis.

Finalmente, Margaret Hamilton, foi diretora do conhecido laboratório do MIT, tendo sido a responsável pelo desenvolvimento do programa de voo utilizado pelo projeto do Apollo 11 – a primeira missão que levou o Homem à lua.

Desde muito cedo que é feita, inconsciente ou conscientemente, uma divisão entre o que é considerado adequado uma menina estudar, ou não. De acordo com a sociedade, apesar de aos poucos se começar a atenuar, as áreas de engenharia, ciência e tecnologias são consideradas mais próprias para o género masculino. Devido a estes estereótipos, deparamo-nos com apenas 1% das raparigas com 15 anos a ter interesse em tecnologias de informação, de acordo com o relatório do Projeto Pisa 2018.

Os dados oficiais relativos às mulheres licenciadas em TIC, demonstram que, desde 1999, a tendência tem sido, maioritariamente, a diminuição. Em 1999, essa percentagem fixava-se nos 26%, tendo decrescido até aos 17.5% em 2009 e, em 2019 recuperou até aos 21%.

No ano de 2020, em Portugal, a percentagem de mulheres em carreiras STEM era de 31%, percentagem que tende a aumentar, uma vez que são as engenharias os cursos que lideram a lista de acessos, de interesses e de notas mais elevadas.

A Portuguese Women in Tech divulgou, em 2019, um estudo onde eram apontadas as principais razões que afastavam as mulheres do setor das tecnologias. De entre as mais variadas opções, destacou-se o lento crescimento salarial, a baixa possibilidade de crescimento na carreira e, ainda, o sexismo.

De facto, as mulheres apontam vários fatores que limitam o interesse a áreas tecnológicas, desde preconceitos, normas sociais, expectativas pré-estabelecidas e a pressão social. A consultora Deloitte, em parceria com A Portuguese Women in Tech e a Polar Insight realizou um estudo sobre o mercado tecnológico português. Desse estudo, 78% das mulheres inquiridas, afirma já ter ouvido comentários sexistas, 72% das inquiridas declara já ter sido ignorada, até que um elemento do género masculino se tivesse pronunciado exatamente da mesma forma e, ainda, 74% anuncia já ter ouvido suposições de só ter emprego por ser mulher.

Apesar das TIC estarem em expansão a nível mundial, esta muito impulsionada pela pandemia, a representação feminina portuguesa, quer na escola, quer em cargos especializados em TIC, está abaixo da média europeia. Em Portugal, segundo um estudo da Eurostat divulgado pela SAPOTek dos mais de 26 mil (26.235) estudantes nas áreas das TIC em 2016, 86,7% eram do sexo masculino, enquanto que as estudantes portuguesas desta área eram pouco mais do que três mil (3.497), uma percentagem (13,3%) abaixo da média europeia.

Segundo os dados do PORDATA, depreendemos a discrepância entre os diplomados do ensino superior em TIC, em Portugal. No ano de 2020, o total masculino rondava os 5.534, ao passo que o total feminino chegava aos 1.396. O ano em que mais se observou essa diferença acentuada foi o ano de 2010 e 2011.

Estudos revelam que, muitas vezes, para além do preconceito criado pela sociedade, as mulheres não têm conhecimento sobre o potencial desta área e das oportunidades existentes. Ainda, quando enveredam nesta área por paixão, encontram obstáculos como pouca representação feminina e uma progressão salarial e de carreira baixas. Ainda, a tradição e as questões familiares, como a maternidade, são outros fatores que tendem a afastar o sexo feminino da indústria tecnológica.

No entanto, e apesar de todos obstáculos impostos já referidos, são muitas as vantagens de se ingressar no mercado das TIC. A mais óbvia prende-se com a crescente procura de profissionais qualificados, esta que tem aumentado graças ao processo de digitalização, impulsionado pela pandemia, e ao crescente aparecimento de start-ups e empresas tecnológicas em Portugal.

Segundo a pesquisa da Robert Walters, uma consultora de recrutamento de renome, 8 em cada 10 empresas admitem ter dificuldades em encontrar talento tecnológico especializado. Na verdade, a necessidade destes trabalhadores é tão grande que Portugal tem programas cujo objetivo se centra na captação de talentos internacionais, como o Tech Visa.

Para além do fator procura, os salários são também um assunto importante já que as remunerações dos profissionais de TI são as que mais têm subido em Portugal, sendo consideradas uma das áreas mais bem pagas do nosso país, de acordo com o estudo “Salary Survey 2020” da Roger Walters.

Apesar de todos estes indicadores, Portugal dispõe de vários projetos com o propósito de incentivar e apoiar mulheres nas áreas STEM, como a academia She Codes, a Girls in Tech, que promove a interação entre alunas do ensino secundário e do ensino superior das áreas STEM e, ainda, a Portuguese Women in Tech, já mencionada, uma comunidade destinada a apresentar as mulheres portuguesas que estão a melhorar a indústria tecnológica e que procura, essencialmente, reforçar a imagem de que existe espaço para cada uma delas no mundo tecnológico e empreendedor, mundo esse em que Portugal foi classificado, em 2019, como o 10º país com maior percentagem de mulheres empreendedoras, com 30.2%, de acordo com um estudo da Mastercard.

Ainda que seja considerada a Indústria do Futuro, este mercado apresenta um enorme desequilíbrio social, visto que, olhando para os últimos 40 anos, depreende-se que 90% das licenças relacionadas com tecnologia da informação terão sido criadas por equipas compostas, na sua maioria, pelo género masculino e apenas 2% dessas equipas incluíam mulheres.

Esta é a realidade, a diferença abissal que se assiste nas áreas STEM, apesar dos dados estatísticos que comprovam que ter uma equipa diversificada é benéfico para qualquer empresa, seja no sector da tecnologia ou noutro.

No entanto, os dados não bastam e é crucial que exista uma mudança consistente no setup educacional, que trará a mudança necessária que a sociedade precisa, a fim de aumentar a qualidade laboral e a mão de obra qualificada e necessária nas áreas tecnológicas.

 

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